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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Jantar

Ela chegou cansada e mesmo assim pensou em preparar um jantar. Não um jantar qualquer, mas um jantarzinho gostoso, como não fazia há tempos. Olhou a geladeira e a despensa, viu o que tinha e resolveu agitar os preparativos. 
Nunca cozinhou tão rápido e feliz. Não suportava aquela cômodo tão trabalhoso e tão desgastante, achava uma perda de tempo cozinhar e lavar; mas aquele dia tinha tudo pra ser diferente...
No entanto a alegria acabou, a tristeza se plantou e como era de se esperar: ela chorou.
Ficou imaginando se teria que passar por tudo novamente e, caso tivesse, seria que agiria diferente? Será que saberia fazer outra escolha que não a mesma que fizera? Pensou na mãe e nas irmãs e quanto mais pensava mais triste ficava. Como partilhar esse sentimento sem causar dor e sofrimento? Ela não sabia o que fazer. 
Pôs a mesa e jantou sozinha. Serviu-se e a cada garfo que pegava era como se lhe doessem todos os músculos, alimentou-se por instinto, segurou o choro para não salgar-lhe a comida - já bastava a vida. 
Ao tentar dormir foi invadida por pensamentos que tiravam o ar de seus pulmões. Se levantou e, sem querer, observou suas mãos: já tão envelhecidas, pensou. 
Precisava dar um rumo ao que pensara estar caminhando mas que descobrira estagnado....E agora? E agora, José?


sábado, 3 de agosto de 2013

Da inocência infantil



Não é novidade alguma que amo, amo mesmo meus pequenos. Choro com e por eles. Pronome possessivo "MEUS", até depois que o ano letivo termina, já escrevi sobre isso aqui. Mas a novidade é que voltarei a registrar os "acontecidos" proporcionados por eles, principalmente suas falas espontâneas, tão verdadeiras. Quero levá-las ao cume: publicá-las. 
Para esse retorno escolhi a máxima do dia de ontem, no qual fui trabalhar de vestido colorido (fato que entrará para a História - eu de mulherzinha...rs) e ouvi da pimpolha de 5 anos:
- Tia, você está vestida que nem um arco-íris!!!
Ri muito e concordei. Fora isto, ganhei o dia!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ando meio cinzenta. Não gosto do que vejo, menos ainda do que sinto. Novamente me vejo envolta por mudanças, por tomada de decisões. Grito, choro, tenho vontade de morrer e nem isso faz com que me sinta em paz para tomar a decisão. Mais uma. Sei o que é necessário, não que seja o certo, não que resolva, mas é o que me trará de volta, o que me fará respirar. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Me perguntam bastante se ainda escrevo no blog ou até mesmo se ele ainda vive. É claro que vive! O problema é que meu momento anda bastante conturbado, muito trabalho e pouca diversão, sabe? Não quero reclamar tampouco é essa a minha intenção neste post, mas eu confesso que gostaria de me dedicar mais a esse espaço tão meu.
Pouca gente sabe, mas apesar de ser bastante falante me sinto melhor escrevendo. Se eu pudesse fazer tudo somente com o poder da escrita seria excelente; ter que falar em público me apavora, não que eu não seja uma boa oradora, pelo contrário, mas minhas emoções ficam bem mais perceptíveis em minha voz e isso me deixa vulnerável. Não suporto essa ideia de exposição, tenho uma imagem a zelar: durona, chata, mal humorada, linha dura. Mas quando abro a boca...ainda mais se é para falar sobre o que mais amo fazer: lecionar. 
Fico realmente emocionada ao relatar meus dias em sala de aula, sejam eles bons ou ruins... no primeiro caso fico empolgada já no segundo a tristeza me invade de tal forma que meu nariz fica vermelho e quando isso ocorre "era uma vez"...vou desaguar.
Reunião pedagógica ou de pais e conselhos de classe são pra mim uma pontinha do fim do mundo: palpitações e sensação de desmaio me acompanham desde o dia anterior. Isso é sério, eu sei, mas nunca procurei ajuda. Por isso prefiro escrever, e foi com o auxílio da escrita que conduzi, pela primeira vez, uma reunião de responsáveis de forma serena e firme, quando parecia que ia desabar lançava mão das minha anotações e seguia em frente, segura. Se eu soubesse antes, ah... não teria passado por tantas outras desesperadas...rs. Mas creio que isto também tenha a ver com maturidade. Cheguei aos 30 e me sinto mais a vontade com meus erros, defeitos e particularidades.
Portanto é isso. Ainda passo por aqui...esse blog vive, aos trancos e barrancos, mas vive!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A rotina de uma dona de casa

Engraçado me ver de "dona de casa" ou "mulherzinha", como queiram. Mas que é hilário me auto-observar nessa máscara, é. Já tem mais de uma década que ocupo esse papel e não me acostumo: lavar, passar, arrumar, cozinhar....eu que sou tão, mas tão bagunceira! 
Dizer que gosto de passar o dia na cozinha é mentira mas que uma boa sopinha faz bem...ah, como faz! Tem gosto de casa de vó, a minha é assim: sabor de infância. 
Tormento maior é arrumar a casa, enquanto tento colocar tudo no seu devido lugar fico me perguntando que lugar seria esse e acabo dando um nó na mente: Ok,ok...aqui está bom e ponto. Ponto mesmo. Final.
Lavar roupa até que é fácil, a máquina lava e centrifuga, a peça sai quase seca, daí é só estender e esperar secar para recolher do varal. Até aí tudo bem...mas depois tem que passar.
Passar é chato, é cansativo e considero tempo perdido. Meu marido vai além, diz que gastamos energia sem necessidade pois quando as vestimos elas tendem a amarrotar! Aceito o argumento mas tenho vontade de socá-lo toda vez que ele sai sem passar uma blusa! Então de vez em quando faço esse trabalho.
Falando em trabalho o melhor de todos esses afazeres é lavar o banheiro! Sem ironia. É um momento só meu, dá pra pensar, repensar e revisitar antigas lembranças. Nem sei quantas vezes "resolvi a vida" lavando o box. Que o diga minha mãe! 
Tentei terminar esse texto mas não achei as palavras certas, então deixo-o como está: inacabado, como toda arrumação que conheço das casas onde se tem uma criança - ou uma professora!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Para um despertar

O fato é que ainda não tive coragem de apagar-lhe, o que afinal seria o mesmo que cortar a mim mesma. Assombros e arrepios de ainda lembrar-lhe. Sofro talvez por ainda ter lágrimas não choradas, falta-me coragem. Pobre de mim. 
Dia após dia tento concentrar-me em tudo que me afasta de ti, de tuas ideias e pensamentos; como sabes as pessoas costumam se lembrar com mais frequência daquilo desejam esquecer. Não é assim com você? Claro que é! Ou então, qual o motivo da persistência de ainda passar os olhos aqui?
Não escreverei sobre você, tampouco tenho escrito a respeito de mim. Pensamentos têm borbulhado e transbordado em noites mal-dormidas e assaltos aos doces mais doces, como se a ingestão destes me trouxessem mais sabor à vida. Ledo engano. 
Não faço ideia do tempo que ainda é preciso para estourar essa bolha, felicidade é um tempero agridoce o qual necessito cada dia mais - e ando muito precisada de espaço.
(Amanda Saraiva - eu)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mais um dia?

Na correria dos dias esquecemos de prestar atenção aos pequenos momentos que passamos, bobos que sejam, mas que fazem parte daquelas 15 horas em que você está lá, no tumulto, no mundo e nem se dá conta.
Como sempre corri para pegar a barca das 12h: descabelada do capacete fedido do mototáxi, com a mochila pesada que só, uma fome de leão e sem ar - pra variar. Nada que já não estivesse  acostumada e que acalmaria nos próximos 15 minutos de relaxamento até que nova correria tomasse conta dessa humilde serva do mundo capitalista. Mas eu precisava de um café. Forte. 
Ao solicitar açúcar mascavo notei um senhor me olhando, puxou conversa, sorriu com minha resposta e ponto, eu não queria falar, naquele momento éramos eu e meu copinho de "pra viagem", desses de isopor. Sentei e olhei para o lado de fora...o dia estava lindo, lindo! Como pude não perceber quão linda é a travessia pela baía? Por onde meus olhos andavam? Com o que estavam preocupados que nunca durante esse ano todinho, nunca prestaram atenção ao espetáculo gratuito que ali se apresentava? Em meio a esses pensamentos senti alguém me olhando e fiquei incomodada, era o tal senhor do açúcar mascavo, mas nem isso desviou "a sério" o meu olhar. Eu estava encantada... 
Levantei-me e reclinei o pescoço para sentir o vento no rosto, novamente o senhor mascavo me olhava. Foi então que tive um entendimento maior do que supunha, esse homem me olhava surpreso, talvez por ter entendido todo o ritual daqueles quinze minutos: a descoberta que apesar das quatorze horas que corro de um lado para o outro tentando garantir o pão de cada dia e dois oito coletivos que enfrento por vezes em pé eu tenho visão para o dia, tato para o vento, paladar para o café, audição para os barcos que passam, olfato para o cheirinho do bebê. Enfim, descobri que posso ter um dia melhor.

*Texto sem revisão ortográfica visto o andamento da hora, mas precisava postar. rs.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

E quando não dá certo? Resta a lembrança daquilo que se sonhou possível.

(Amanda Saraiva - eu!)

domingo, 15 de abril de 2012

Despertar


Acordei sentindo vontade de escrever qualquer coisa que faça sentido pra mim. Tanto tempo remoendo palavras frias e sangrentas que já não me reconhecia. Logo eu, oras! Tão acostumada a dizer para os outros "levante a cabeça e tente mais uma vez, ou quantas forem necessárias" e eu aqui, chorando dores que não as minhas, perdas que direta ou indiretamente me afetaram, mas fazer o quê? A vida segue, as pessoas passam e nós, bem, nós mudamos de acordo com os acontecimentos. Despertei para um novo eu, muito melhor, com certeza. Um eu preocupado com questões muito mais difíceis de serem desarticuladas mas que cá estou, pronta.  Sem medo. E com direção.
Vivi situações complicadas nos últimos tempos mas quem não as viveu? Tem gente que precisa matar um leão por dia e outras que precisam conviver com eles, aprender a. Isso os faz mais fortes? Eu diria que não, afinal cada qual tem seus motivos - tanto os que matam quanto os que convivem. Eu tenho aprendido a agir de acordo com a situação, se é para conviver, que assim seja, se não... afio a faca de modo a cortar pela raiz. Sem dor. Tudo é aprendizado.
Aquele luto passou, o coração está quente novamente e a audição, essa está perfeita! Ouço tudo, tudo. Com algumas mudanças volto a encontrar-me.
Sou defeito e sou qualidade. Ser é permanência, por essa razão não digo que os tenho mas que os sou, pois apesar das inúmeras mudanças sempre haverá um e outro...
Vibro novamente no compasso da vida, a apatia se foi e com ela as dores que me prendiam ao passado. Voltei pra mim... reabastecida de amor.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Acusação

Diante de tudo o que vem me acontecendo, coisas boas misturadas às más, fiquei imaginando como seria passar por isso tudo anos ou meses atrás. Com certeza já teria deixado este corpo e virado pó ou o qualquer coisa que o valha. 
A digestão se faz lenta e pesada, solitária também.
Ninguém entenderia o que estou sentindo, nem sequer me darei ao trabalho de explicar, o que me dá forças para continuar é saber que não posso sucumbir à necessidade de ficar imóvel, sozinha e perdida em pensamentos. Tenho motivos para continuar, Deus tem feito isso por mim: me libera as bençãos para que possa suportar a dor, creio que isso seja o meio de dizer "vai lá, mostra de quem és filha" .
Não superei as trombadas grosseiras que vieram, tampouco limpei os ouvidos após me acusarem. Ainda escuto o que foi dito e o que me foi negado saber - isso é mais doloroso, afinal são as suposições que teimam em gritar... 
Aos poucos me fecho pra vida e tento encontrar um cantinho dentro de mim que realmente me diga que todo esse sofrimento não será em vão, em algum momento o pingo voltará para o "i" e meu único pedido é que me seja feito um pedido de desculpas. O ato em si não reconstruirá o que se perdeu mas abrandará meu coração. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Eu, que sempre tive medo de mudanças, estou pronta pra mais essa. PRONTA, ouviu bem, Senhor Medo? (Amanda Azevedo)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Enfim, 2012.

O ano novo chegou trazendo em mim a esperança de resolver o que ficou para trás. Aquela amizade que se perdeu no vento ou até nas palavras não ditas, aquele sono que passou da hora por simples falta de tempo, um doce que ficou apenas na memória gustativa, o olhar raso refletido no espelho... 
Ao ano que passou desejo apenas que se mantenha quieto para que eu consiga ouvir o que antes não pude e/ou não quis, que me deixe respirar o ar novo que aqui já se encontra para só então decidir o que realmente devo esquecer. Certa vez uma pessoa ainda querida disse que sua vida era um eterno recomeço, quero que 2012 me permita "recomeçar". 
- Olá, meu nome é Amanda e tenho algo a escutar. Fale-me sobre você, como foi seu ano passado, o que aprendeu, o que realmente valeu deixar para trás, o que não deveria ter feito, o que fez e faria novamente, o que descobriu de si, para si e do outro, o que sentiu mais falta, o que acabou, começou e recomeçou, o que recusou, a quem amou...
Enfim, Ano Novo! Que eu possa recomeçar evitando os erros do passado e aprendendo com as falhas futuras (que certamente virão).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

2011

Meus pés queimam. Meu corpo pede cama. Minha alma chama baixinho: vem, olha pra dentro de você! Com isso meu eu anuncia que o ano está terminando...mais um, penso. Cheia das loucuras do dia a dia e transbordando de 2011, minha mente sussurra: Descanso. 
Por anos pedi a Deus durante essa época, resposta para as minhas insatisfações...2011 será diferente. Agradeço pelo aprendizado maior, que foi o da paciência...Pelos sapos que engoli agradeço duplamente. Por quem me fez calar, triplamente. Esse ano foi um ano de muitas conquistas, a principal delas, a conquista de mim mesma! Sim! Em 2011 aprendi que posso mais que esbravejar, posso sentir, respirar, repensar e então falar ou calar: eita aprendizado demorado...mas que chegou a tempo de salvar meu ano. Obrigada.
Agora só está faltando uma coisa - minhas tão merecidas férias! Que janeiro se prepare: serei minha, somente minha!!!

Feliz Natal e um excelente 2012 pra nós Desassossegados!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Saudades daqueles que sempre estarão presentes em meu coração: vó Beata e vô Nelson...sempre que vai chegando essa data meu coração começa a ficar assim...apertadinho de saudade. Lembro da minha infância! Quanta alegria, quanta emoção! A família reunida, todo mundo tentando tirar minha avó da cozinha - e ela terminando o bolinho de bacalhau... meu avô sentadinho descascando castanha (que eu olhava e não entendia como ele gostava daquilo), as crianças que entravam e saíam da casa da dona Janete Fernandes, achando que era extensão da casa da vó, aquele monte de coquinho que voava escada abaixo depois de uma martelada mais forte: o que causava inúmeras gargalhadas...o sobe e desce na escada, íamos de porta em porta desejando Feliz Natal e o mais surpreendente: todos deitávamos por volta das 22h esperando a hora do Noel chegar...aí de repente minha mãe acordava a gente, mandava olhar pela janela a estrela-cadente e...ops! Os presentes "apareciam" na árvore de natal..."Vocês estavam dormindo"...bem, eu nunca consegui ver o bom velhinho chegar! Depois de um tempo descobri que a tal estrela era só pretexto pra gente olhar pela janela do quarto da vovó e dar tempo do meu tio Mauro correr na arrumação dos presentes. Saudades...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carne e osso

Estou doente. Sim, querida, novamente. Estou com febre, dor nas articulações, na garganta? Sim.Tudo sim.
A pergunta é: você não fica doente? Pois é. Responsável que sou, sim, eu sou.  Perguntei ao ser contratada o que deveria fazer em caso de doença, a resposta que obtive foi: tome um remedinho e venha trabalhar. Foi o que fiz. E que não deveria ter feito. Mas como sabe, sigo ordens, a escala hierárquica existe pra  isso. 
Não aguentei as dores no corpo, na cabeça, no ouvido, garganta e nariz e parei no pronto-socorro. Exames foram feitos, RX e hemograma completo. Soro com remédio para diminuir a febre que me acompanha desde segunda, sim, na segunda eu já estava ficando mal...38º, 38,5º foi com essa temperatura que fui trabalhar na terça-feira, afinal, "toma um remedinho e venha pro trabalho". Fiz o que me mandaram fazer e tive que ouvir do médico plantonista o quão irresponsável tinha sido a minha atitude. Não, não...sigo ordens, disse à ele. Só fiz o que me mandaram fazer... Ele quis saber o nome da empresa, o bairro...pois como ele mesmo disse: você trabalha com crianças, certo? Mencionei logo no início da consulta que era professora e que estava preocupada por não saber o que eu tinha e se poderia passar para elas. Qual a idade? Doutor, eles têm entre 4 e 5 anos... Sim, me chamou de irresponsável...logo eu! Que tive o cuidado de questioná-la sobre isso. 
Ele compreendeu, disse que sim, que era transmissível pelo ar, que provavelmente peguei em sala de aula e que, por ter ido trabalhar na terça, tinha passado pra mais alguma...Que dó. Que raiva. 
Dois dias de molho, tomando antibiótico, trancada no quarto pra não passar pra mais ninguém, beijar meu marido? Só de longe, ele disse. 
Em dois dias fazendo uso da medicação você pode voltar pra sala que já não correrá o risco de transmitir pra ninguém. É tarde. Chego em casa cansada, com febre, o braço dolorido da picada de agulha...o telefone toca: E aí? Tá melhor? Respondo que não, explico o que o médico disse. Minha colega de trabalho faz uma pausa e diz: Sabe fulana? Sua aluna? Então...saiu daqui antes do horário, com febre... 
A culpa é minha ou é de quem me instruiu a fazer aquilo que eu sabia ser errado?
Amanhã retorno para a escola, conto depois o que se passou.

sábado, 22 de outubro de 2011

Caveira

Essas crianças acabam comigo...pra variar mais uma delas:
- Tia, quero mais água.
- Mais? Menino, você comeu um quilo de sal? pergunto espantada com a quantidade de líquido ingerido nos últimos minutos...
A resposta vem tranquila e ao mesmo tempo cheia de autoridade:
- Não, tia! É pra molhar a caveira!
Espantada, olho bem pra aquela criaturinha pequenininha que só...com aqueles olhões me olhando...
- Entendi - respondo. E começo a rir.
E pela quinta vez encho a garrafinha verde e amarela.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Semana da criança

Na minha época era dia das crianças...agora é semana das crianças. Pior é que as pessoas pensam que é normal - a criança não precisa de um dia ou de uma semana para ela porque por mais que neguem isso, todos os dias devem ser de amor, carinho e dedicação. Bem como a mulher, a mãe, o pai, o (a) professor (a), os avós, a família e tantos outros dias dedicados a quem quer que seja e que somente são lembrados " no dia que lhes cabe." 
A tal data "especial" é envolta por um inúmeras propagandas que só fazem aumentar o consumismo desenfreado que tomou conta da cabeça das pessoas. 
As crianças "querem" o que lhes é apresentado como "certo" e ai de quem disser o contrário, os pais que o digam! 
Hoje é meu dia - professora  - e também amanhã e depois e depois e depois...(apesar de falarem que é dia 15/10 e ponto) é e será assim durante todos os dias do ano. Também é o do médico, do nutricionista, do gari, do pai, da mãe, da mulher, do homem (descobri que existe um dia pra eles também), dos avós, da secretária, do aviador, do biólogo, do turismólogo e por aí vai.
Mas o que me revolta mesmo é esse tal dia da família - caramba!!! Somente um dia para algo tão importante? Talvez seja por isso que está tudo tão perdido...o afeto, o amor, o carinho, o zelo, as conversas de fim de tarde, o beijo de boa noite, o sorriso de bom dia: isso tudo é muito para um só dia. 
(Amanda Azevedo - eu)


P.S. Eu não caibo num dia só apesar de ter nascido em apenas um!!! 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Café...

Dia do amigo...Tomei coragem e liguei. Lógico que não sou louca e não disse um: Amiga! Mas perguntei se estava tudo bem e sim, disse que estava pensando nela e como estaria, daí o motivo da ligação. Não sei quanto tempo levamos ao telefone, foi pouco mas era tão perto...Como se tivéssemos nos visto e falado ontem.
Fiquei feliz ao ouvir a voz daquela que outrora foi minha confidente, amiga, quase irmã - daquelas pessoas da "família" que a gente escolhe, sabe?
Não sei o que será daqui por diante, não falamos nada do que passou, se bem que nem sei ao certo o que aconteceu; mas estou contente...Dirão que é egoísmo, o fato de ter tomado a decisão me tirou um peso enorme das costas, que assim seja - egoísmo, só que dessa vez foi por uma causa justa.
Não sei se lerá essas poucas linhas, caso leia saberá que é pra você. Não, não esqueci de teu aniversário e "bom dia" sempre, sempre.
Espero que ligue para que possamos tomar aquele café que me ensinou apreciar. Realmente espero que ligue, ou mande um e-mail, quem sabe? 
Não importa o que pensarão da minha atitude, sinto falta de nossas conversas, de saber como estás, sinto tanto, tanto, que hoje liguei e confirmei o que já sabia por sentir: que não estás bem... Não posso mudar nada do que está acontecendo em tua vida, no entanto, sei que era mais fácil quando tínhamos os nossos risos. E prantos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Equilibrista da vida...

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais. (Clarice Lispector)

Em mim também existe esse lado infantil... 
Hoje, por exemplo, me dei conta que por mais que os anos passem, somos os mesmos: aquele medo que sentíamos e nem lembrávamos mais, um dia reaparece, do nada! E o que fazer quando, na plateia, estão todos os seus sonhos? E os sonhos dos outros...
Encarei, fui ao palco, me apresentei - não eu...e sim a menina com seus 7, 8 anos. 
Ainda muito envergonhada não consegue encarar os olhares do público, tão pequenos quanto ela naquele momento... Mesmo assim faz seu trabalho: pintada, com peruca, capa e lápis rosa, desempenha o papel de equilibrista, nem se deu conta do que estava fazendo, nem olhou para as fotos! Que triste... 
Quando acaba recebe beijos e abraços, se dá conta de onde está, de quem é, do que esperam dela... 
Ufa! Acabou. 
Eu e a menina em mim, recebemos os carinhos e percebemos diante de nós a mais pura verdade: o medo ainda está ali, dentro da alma, mas foi preciso driblá-lo por alguns instantes para ver surgir na plateia os rostinhos mais iluminados que já vira nos últimos tempos. Orgulho. Eles sentem orgulho dela(s) e só por isso valeu o sacrifício.

(imagem da net)