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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Trecho de "A felicidade possível"

Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas. Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver). Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar. Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido. Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade. (Artur da Távola)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Uma perda, de Arthur da Távola

A Carlos Drummond de Andrade No meio do caminho tinha uma perda. Tinha uma perda no meio do caminho. Tinha uma perda. No meio do caminho tinha uma perda. Primeiro a irmã depois o pai. Não sabia que no meio do caminho tinha a perda do paraíso que me fez bravo. Fui só, fui eu, fui vida a partir da perda que me estava destinada no meio do carinho de minha mãe solitária. Fui perda de mim mesmo procurado por toda a vida até que achado no poema do meu hoje encanecido. Tudo porque no meio do caminho tinha uma perda. Tinha uma perda no meio do carinho.