Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas. Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver). Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar. Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido. Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade. (Artur da Távola)
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Uma perda, de Arthur da Távola
A Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma perda.
Tinha uma perda no meio do caminho.
Tinha uma perda.
No meio do caminho tinha uma perda.
Primeiro a irmã depois o pai.
Não sabia que no meio do caminho
tinha a perda do paraíso que me fez bravo.
Fui só, fui eu, fui vida a partir da perda
que me estava destinada
no meio do carinho de minha mãe solitária.
Fui perda de mim mesmo
procurado por toda a vida
até que achado no poema do meu hoje encanecido.
Tudo porque no meio do caminho tinha uma perda.
Tinha uma perda no meio do carinho.
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