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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Súbita...

Súbita mão de algum fantasma oculto

Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão noturna que me guia.
Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
O. C., lº v., Poesias, p. 83.
Fernando Pessoa - Poemas Ocultistas

quarta-feira, 21 de abril de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Há saudades nas pernas e nos braços. Há saudades no cérebro por fora. Há grandes raivas feitas de cansaços.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Fernando Pessoa, 1934

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Se a vida [não] nos deu mais do que uma cela de reclusão, façamos por ornamentá-la, ainda que mais não seja, com as sombras de nossos sonhos, desenhos a cores mistas esculpindo o nosso esquecimento sobre a parada exterioridade dos muros. (Fernando Pessoa - L.D)

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Cada coisa que foi nossa, ainda que só pelos acidentes do convívio ou da visão, porque foi nossa se tornou nós".
"Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse".
"Felizes os que sofrem com unidade! Aqueles a quem a angústia altera mas não divide, que creem, ainda que na descrença, e podem sentar-se ao sol sem pensamento reservado".
(Fernando Pessoa - L.D)
"Feliz Páscoa! Em Jesus e no coelhinho também..." (brincadeirinha - kkkkk)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"Defendo-me das agruras e também das felicidades da vida".
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.

"Há abatimentos da alma abaixo de toda a angústia e de toda a dor". "Somos quem não somos, e a vida é pronta e triste". "Criei-me eco e abismo, pensando". "Houve tempo em que me irritavam aquelas coisas que hoje me fazem sorrir". "Vim parar aqui sem razão, como tudo na vida". "Mudem-me os deuses os sonhos, mas não o dom de sonhar". "Eu não sou pessimista, sou triste". "Tenho os olhos pesados de supor".

sábado, 4 de outubro de 2008

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada. Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar. (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Teus olhos entristecem. Nem ouves o que digo. Dormem, sonham esquecem... Não me ouves, e prossigo. Digo o que já, de triste, Te disse tanta vez... Creio que nunca o ouviste De tão tua que és. Olhas-me de repente De um distante impreciso Com um olhar ausente. Começas um sorriso. Continuo a falar. Continuas ouvindo O que estás a pensar, Já quase não sorrindo. Até que neste ocioso Sumir da tarde fútil, Se esfolha silencioso O teu sorriso inútil. Fernando Pessoa, 19-10-1935

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"Quanto a mim... O amor passou. Eu só lhe peço que não faça como a gente vulgar, e não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras afeições, conservam num escaninho da alma, a memória do seu amor antigo e inútil." (Do poema Cartas de Amor, de Fernando Pessoa) Sempre gostei desse poema. É delicado e sábio. Não se assutem com os últimos posts, meu casamento "Vai bem.Obrigado".rsrsrs Mas estou melancólica...coisas da vida!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Natal, de Fernando Pessoa

O sino da minha aldeia, Dolente na tarde calma, Cada tua badalada Soa dentro de minha alma. E é tão lento o teu soar, Tão como triste da vida, Que já a primeira pancada Tem o som de repetida. Por mais que me tanjas perto Quando passo, sempre errante, És para mim como um sonho. Soas-me na alma distante. A cada pancada tua, Vibrante no céu aberto, Sinto mais longe o passado, Sinto a saudade mais perto.

Ouvir a Bethânia cantando este poema é maravilhoso!!!

domingo, 4 de novembro de 2007

Intervalo Doloroso

[...]Quem me dera que de mim ficasse uma frase, uma coisa dita que se dissesse, Bem feito!, como os números que vou inscrevendo, copiando-os, no livro da minha vida inteira. (Livro do Desassossego, p.350)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final." (Livro do Desassossego, p.347).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Não o amor, mas os arredores é que vale a pena..."
(Livro do Desassossego)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

"Tédios do crepúsculo e do desalinho, leques fechados, cansaço de ter tido que viver..."
(Livro do Desassossego - Fernando Pessoa)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco, toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas." (Pessoa)

terça-feira, 24 de julho de 2007

segunda-feira, 23 de julho de 2007

"Não sei o que quero ou o que não quero. Deixei de saber querer, de saber como se quer, de saber as emoções ou os pensamentos com que ordinariamente se conhece que estamos querendo, ou querendo querer. Não sei quem sou ou o que sou". (Pessoa)