quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Desabafo de uma professora municipal em GREVE.



Sou professora e estou em greve. Me custa a crer que os pais dos meus alunos estejam pensando que sou uma VAGABUNDA que não quer trabalhar, que está de "férias", porque eu não estou lá, mas as crianças estão tendo aula...garantindo o que? Fazer bonito na comunidade? Quanta ignorância! Estou enojada. Tenho participado dos atos, ido às assembleias, fervilhado, brigado, suado POR ELES. Fui aluna de escola pública do primário até a faculdade e desejo que as minhas crianças tenham melhores condições de aprender e isto nada tem a ver com a minha formação e sim com a falta de condições imposta por esta prefeitura. Dar aula num depósito de crianças vai contra minhas mais sólidas convicções. Tenho meu conjunto de argumentos constituído para apresentar aos pais pela milésima vez, pois muitos me conhecem desde que ingressei na instituição que leciono e sabem do meu zelo para com a minha profissão e sobretudo para com os meus alunos.
Contudo, eu e meus colegas de equipe unidos na paralisação, estamos sendo vítimas de uma manobra de corporativismo mesquinho por parte de outros integrantes da equipe de trabalho que, vergonhosamente, negligenciam os interesses e a luta da classe por uma educação pública de qualidade.
Essas pessoas se esquecem, num momento como este, que são tão educadoras quanto eu e todos os demais. O que elas não se recordam é que estão agindo contra a categoria num claro e lastimável exemplo de covardia e alienação. Temos muito o que transformar não só no interior da Secretaria de Educação, mas também nos corações dessas pessoas.

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