quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Gramática no cordel [2], de Janduhi Dantas.

Previlégio ou Privilégio?
É com ou é com i
Preste atenção no recado:
Quem pronuncia ou escreve
Previlégio está errado,
Quem grafa ou diz privilégio
É um privilegiado.

domingo, 24 de maio de 2009

A Gramática no Cordel [1], de Janduhi Dantas.

Porque de todo jeito
O emprego dos porquês
Há quem ache complicado.
Há porque de todo jeito:
Porque junto, separado,
Com acento, sem acento,
Há porque pra todo agrado!
Porque junto e sem acento
Será uma conjunção
Explicativa ou causal,
De um pois tendo a função:
"Mateus está de castigo
Porque não fez a lição".
"Por que não telefonou?"
(Veja como está grafado):
Na frase interrogativa,
Sem acento e separado
"Por que não disse a Maria?",
"Por que não deu o recado?"
Por pelo qual e flexões
Por que também é usado
(Sendo a preposição por
Ao pronome que ligado):
"Sei que é grande o sofrimento
Por que você tem passado".
Quando for substantivo,
Porquê junto, acentuado;
Vindo depois de artigo
E por motivo empregado:
"Ele não disse o porquê
De à aula ter faltado".
Por quê — em final de frase
Interrogativa ou não.
E o que é acentuado
Se no fim da oração:
"Lumária te disse o quê?"
(Entenda, preste atenção!).

terça-feira, 19 de maio de 2009

Queixas, de Ana Flor

Ele mesmo dissera que se ela não estivesse satisfeita que fosse se queixar ao bispo. E ela foi. Contou tudo o que havia se passado entre eles: a acusação de ser ela a culpada dos pesadelos dele, os encontros só em dias sorteados no calendário, e não deixou de mencionar que ele não a queria com as unhas dos pés pintadas de vermelho, como ela sempre usara até conhecê-lo. Quando ela terminou, o bispo apenas disse, com a voz baixa e calma de quem passou a vida a ouvir queixas: "Volte hoje à noite, às dez. E venha com as unhas dos pés pintadas de vermelho."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Família

Lembranças de um passado recente...dez? doze anos? A vida toda? Quem sabe? Lembro das brigas, do medo, da recusa, do não-thau. Decisão sua, demorada mas certeira. Pela primeira vez te vi viva, gritante. - Me ajudas?, pediu. - Sim. Fui forte enquanto consegui, chorei noites a fio sem que soubesse, alimentei minha alma de dor por um tempo, "long time". Long, long... Pensava em perdão, não sabia o quão significativo era para meu crescimento esse ato, de tanto pensar se concretizou. Cresci. Hoje estamos todos bem. Vocês, inda não sei, não sei... Somos civilizados. Mais que isso: nos amamos. Do nosso jeito, mas é amor.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Para Susanna "Prado"

Tem gente que chega e sai. Outros chegam e ficam [mas não fazem diferença]... Porém há pessoas como você que são anjos que Deus envia pra ver se a gente está atento!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Quando tudo pede um pouco mais de calma"...
Resquícios de uma raiva que deveria ter sido passageira e não foi. Perda da vontade de estar junto. Tristeza de não saber dizer adeus, até logo, até breve, ou simplesmente não dizer nada...
O silêncio enche os olhos de lágrimas, o peito incha de dor, a boca sangra despida. Faz tempo que permiti o silêncio, horas de grito insone já não mais, até quando?
Feito o calar, esperas... 
O corpo úmido, o último brado antes da cena final: morte.
Não teremos um filho. Ainda somos filhos. Precisamos aprender mais.
ORGANIZE-SE
Você abriu, feche
Acendeu, apague.
Ligou, desligue.
Desarrumou, arrume.
Sujou, limpe.
Está usando algo, trate-o com
carinho.
Quebrou, conserte.
Não sabe consertar, chame quem o
faça.
Para usar o que não lhe pertence,
peça licença.
Pediu emprestado, devolva.
Não sabe como funciona, não
mexa.
É de graça, não desperdice.
Não sabe fazer melhor, não critique.
Não veio ajudar, não atrapalhe.
Prometeu, cumpra.
Ofendeu, desculpe-se.
Falou, assuma.
Seguindo estes preceitos, viverá
melhor.
(Autor desconhecido)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Impressionista, de Adélia Prado.

Uma ocasião, 
meu pai pintou a casa toda 
de alaranjado brilhante. 
Por muito tempo moramos numa casa, 
como ele mesmo dizia, 
constantemente amanhecendo.  
 Homenagem a "nossa" Adélia!
Com carinho.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quero contar pra vocês o que ocorreu hoje (5/5) lá na escola. 
A professora do maternal pediu que eu olhasse um instante a turma dela, o que é comum quando a auxiliar não se encontra. Um aluno resolveu bater numa coleguinha nova, o que também é comum de acontecer, afinal, temos um "estranho no ninho"! Daí fui conversar com aquele indivíduo no auge dos seus 3 anos e pedi que se sentasse, já que a cadeira foi feita para o bumbum sentar e não a mesa.
Obtive como resposta: 
- Tia, meu bumbum está doendo.
Aquela informação só fez sentido minutos depois, quando a ajudante me disse que o pai avisara logo pela manhã:
- Não se assuste não que dei umas palmadas nos dois.
Esqueci de dizer que esse aluno e a irmã de 1 ano e 2 meses passam o dia todo na escola, de 7:00 às 19:00h. Como se não bastasse passar o dia sem a presença dos pais, possuir a escola e os funcionários desta como responsáveis por cuidar, acarinhar e ensinar a diferença entre o certo e o errado; essas crianças levaram uma surra de CINTO do pai porque queriam compartilhar o momento do sono com ele.
Entendam: não penso que é certo a criança dormir com os pais, mas para quem só tem esse tempo para receber calor e afeto paterno, não recrimino. Ao pegarem no sono seria só levá-las para o quarto, como sempre fizeram comigo...
- E onde estava a mãe?, talvez me perguntem. 
Segundo nosso pequeno "o papai trancou a porta do quarto"...
E lá estão as marcas roxas e vermelhas de quem só queria abrigo...
Não tive coragem de olhar e chorei mesmo assim. 
" Não preciso ver para crer", não dessa vez.
A escola deveria denunciar para o conselho tutelar, se fosse escola pública isso teria sido feito imediatamente, como cansei de fazer na época do contrato. É triste. Mas é a única coisa que vi funcionar de verdade.
Hoje a escola se calou. A professora se calou. A ajudante se calou. Eu estou aqui... mas também me calei: não adianta nada para os meus pequenos esse desabafo. Mais uma vez eles voltaram para casa, mais uma noite, talvez igual a todas as outras na vida deles. 
Na minha, não. 
E daí? Não muda nada...
"[...] Não aguentaria ter de voltar e encontrar o deserto de almas que é a cidade". 
(Amanda Saraiva)
Local da foto: ilha em Arraial do Cabo - RJ

"Repostando" em homenagem a Susanna "Prado"!

Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade da alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
(Adélia Prado)
♠ Amo esse poema como se ele fosse parte de mim...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Poema perto do fim, de Thiago de Mello.

A morte é indolor. 
O que dói nela é o nada 
que a vida faz do amor. 
Sopro a flauta encantada 
e não dá nenhum som. 
Levo uma pena leve 
de não ter sido bom. 
E no coração, neve. 

domingo, 3 de maio de 2009

Preciso restaurar minha vida. 
No sentido de pôr 
no estado
primitivo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Arte de amar, de Thiago de Mello.

Não faço poemas como quem chora, 
nem faço versos como quem morre. 
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira 
quando muito moço; achava que tinha 
os dias contados pela tísica 
e até se acanhava de namorar. 
Faço poemas como quem faz amor. 
É a mesma luta suave e desvairada 
enquanto a rosa orvalhada 
se vai entreabrindo devagar. 
A gente nem se dá conta, até acha bom, 
o imenso trabalho que amor dá para fazer. 
Perdão, amor não se faz. 
Quando muito, se desfaz. 
Fazer amor é um dizer 
(a metáfora é falaz) 
de quem pretende vestir 
com roupa austera a beleza 
do corpo da primavera. 
O verbo exato é foder. 
A palavra fica nua 
para todo mundo ver 
o corpo amante cantando 
a glória do seu poder.