quarta-feira, 29 de abril de 2009

A possibilidade de uma gestação está mexendo com a minha cabeça! Quero? Quero. Muito ou pouco? Não sei.
Para quem nunca pensou em ser mãe, o vibrar gestacional está cada vez mais forte, pulsando até aqueles fiozinhos de cabelo do meu dedão do pé! Sim, creio querer, mas a dúvida de quem deveria ter me dado uma resposta concreta só fez aumentar minha característica mais marcante: a expansão.
Tal característica me torna bagunceira, falante, atabalhoada, descabelada!!!!!!!! 
Então é isso! 
E ficamos a espera do novo capítulo!
Abraços!

domingo, 26 de abril de 2009

Cuidado, de Carlos Drummond de Andrade.

    Cuidado

A porta cerrada não abras. Pode ser que encontres o que não buscavas nem esperavas.

Na escuridão pode ser que esbarres no casal em pé tentando se amar apressadamente.

Pode ser que a vela que trazes na mão te revele, trêmula, tua escrava nova, teu dono-marido.

Descuidosa, a porta apenas cerrada pode te contar conto que não queres saber.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Não menti, não minto. Tenho ciúmes, é fato. Dizem que é mais uma doença do que, na verdade, sentimento. Acredito que isso seja verdade, mas não consigo... juro que tento, assim como tento podar meus espinhos. Mas é muito difícil lidar com algo que parece ter nascido comigo, sabe? Não sinto que fui adquirindo aos poucos, com as experiências... Me conheci assim, veio "de fábrica"!
Desde muito pequena sou chamada atenção por isso, tinha ciúmes dos meus primos, da minha avó, do meu pai nem se fala!, de um ou outro amiguinho, da minha mãe... Na adolescência foi difícil! Como ter ciúme de um amigo? Eu tinha. De minhas irmãs, então... quando elas começaram a namorar foi um desespero: quanta grosseria por conta de um namorado apresentado!
Quando conheci meu marido foi a gota d'água: ou você muda ou mudamos nós. Entendi. Aprendi os pingos dos is em casa: sei ler nas entrelinhas.
Comecei a me controlar, não queria mudar o "nós", precisava domar meu "eu". Consegui. Consegui? Nem sempre.
Hoje, por exemplo, estou à beira. 

Eterna felicidade, de Wellington Rainho.

O tempo passa,
foge, voa, engana,
e a gente se perde
na percepção da vida.
Dou peso às palavras
aos sentidos,
aos sentimentos.
Certa vez,
sentindo o coração
bater na boca,
com o corpo suado,
os olhos enfeitiçados,
o desejo latente,
o infinito presente,
confessei que te amava.
A vida nos afastou,
bateu, maltratou.
Pela incompreensão,
pela intransigência,
pela arritmia,
do falar, ouvir,
permitir.
Trinta anos se passaram,
e só hoje percebo,
que o fogo que restou
de nosso relacionamento
ainda existe,
mas infelizmente,
ele só "queima",
não "aquece" mais.
Chorei,
revivendo as corridas pela grama,
os copos de leite bebidos na madrugada,
os banhos de chuva,
as caminhadas de mãos dadas,
a certeza da eterna intimidade,
do "eterno" amor.
Hoje quase não nos falamos,
mas faço questão de te dizer,
o quanto tudo foi presente
e verdadeiro durante estes anos.
Mesmo separados.
Te tiro de meu coração,
não como quem retira um peso,
mas como quem abre um lugar
que me permitirá viver, sobreviver.
Tentar falar de novo
"eu te amo".
Um beijo e obrigado por tudo,
que vivi com voce,
que apreendi com você.
Eterna felicidade.
(http://wellingtonrainho.blogspot.com/)

Nós, de Tião Carvalho.

Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ver passar por aí
Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí
Pois é...
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar
Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ouvir cantar por aí
Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por ai
Pois, é...
Esse samba é pra você, ó meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar
Pois é... Esse samba é pra você, ó meu amor Essa samba é pra você Pra você sorrir, pra você chorar Pra você sonhar, pra você feliz Pra você amar!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Perdão, de Izabel Santa Cruz Fontes

Hoje sonhei que te perdoava. Estamos sentados frente a frente, desconfortáveis, com olhares perdidos. Eu podia sentir o teu desespero mudo no ar, tocar nele, moldá-lo à minha maneira, fazer dele capricho meu. Você fingia tomar seu café e olhar pela janela. O café estava tão quente que era quase uma presença humana. Éramos, então, quatro: eu, você, o café e seu desespero, percebi nisso metáfora indizível. Mesmo no fim, mesmo em sonhos, nunca sozinhos.
[...]
Ao perceber que ainda somos nós — você, puro orgulho, eu, pura implicância — dou um meio sorriso, sabendo que não tenho o direito de me sentir feliz. Você, de repente, percebe tudo e dá um sorriso largo, criança em dia de natal. Surpresa, apenas arregalo os olhos, você ri do meu espanto. Mais alto. Gargalha. Contagiada, vou sentindo minha boca se abrir, tímida, até se escancarar. Sentimos o corpo tremer e rimos, em uma crise guardada, sem explicação, sem motivo.
Passamos tempo incontável assim, a rir sem motivos e, de repente, paramos. Pela primeira vez, nos olhamos de verdade, com olhos de quem ri, inocentes e carinhosos. Finalmente, nós dois entendemos e, calados, aceitamos nosso destino: orgulho e implicância. Nos perdoamos.

domingo, 19 de abril de 2009

as cartas que eu não mando

leoni

Composição: Leoni, Luciana Fregolente

Rio de Janeiro
Hoje é 23 do 3
Como vão as coisas
De mês em mês
Eu me sento pra escrever pra você
Eu reformei a casa  Você nem soube disso Nem das outras coisas Sabe eu tive um filho Já faz tempo que eu me perdi de você
Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto
Vi alguns amigos
Tropeçando pela vida
Andei por tantas ruas
São estórias esquecidas 
Que um dia eu quis contar pra você
Eu fico imaginando
Sua casa e seus amigos
Com quem você se deita
Quem te dá abrigo
Eu me lembro que eu já contei com você
E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
Hoje são a minha cama
Minha mesa, meus lençóis
E eu me visto de saudades
Do que já não somos nós

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Edifício
Recolhe os cacos
Dessa paixão cheia de cor
E antes que desbote
Faz um alicerce forte
Erge uma parede que suporte
Todo o peso da sua dor
_André Gonçalves
(Coisas de Amor Largadas na Noite)

domingo, 12 de abril de 2009

"Eu deixo aroma até nos meus espinhos..."
(C. Meireles)
Gente, amei isso. Principalmente por saber que de espinhos sou feita, não acredito ser de outra maneira. Mas sei do meu interior, sei que também me ferem, acreditem nisso. Reconheço. Tento, a cada dia, podá-los: é difícil.  
 

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Se a vida [não] nos deu mais do que uma cela de reclusão, façamos por ornamentá-la, ainda que mais não seja, com as sombras de nossos sonhos, desenhos a cores mistas esculpindo o nosso esquecimento sobre a parada exterioridade dos muros. (Fernando Pessoa - L.D)

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Cada coisa que foi nossa, ainda que só pelos acidentes do convívio ou da visão, porque foi nossa se tornou nós".
"Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse".
"Felizes os que sofrem com unidade! Aqueles a quem a angústia altera mas não divide, que creem, ainda que na descrença, e podem sentar-se ao sol sem pensamento reservado".
(Fernando Pessoa - L.D)
"Feliz Páscoa! Em Jesus e no coelhinho também..." (brincadeirinha - kkkkk)

domingo, 5 de abril de 2009

Resposta ao tempo

Batidas na porta da frente É o tempo Eu bebo um pouquinho Prá ter argumento Mas fico sem jeito Calado, ele ri Ele zomba Do quanto eu chorei Porque sabe passar E eu não sei Num dia azul de verão Sinto o vento Há folhas no meu coração É o tempo Recordo um amor que perdi Ele ri Diz que somos iguais Se eu notei Pois não sabe ficar E eu também não sei E gira em volta de mim Sussurra que apaga os caminhos Que amores terminam no escuro Sozinhos Respondo que ele aprisiona Eu liberto Que ele adormece as paixões Eu desperto E o tempo se rói Com inveja de mim Me vigia querendo aprender Como eu morro de amor Prá tentar reviver No fundo é uma eterna criança Que não soube amadurecer Eu posso, ele não vai poder Me esquecer Respondo que ele aprisiona Eu liberto Que ele adormece as paixões Eu desperto E o tempo se rói Com inveja de mim Me vigia querendo aprender Como eu morro de amor Prá tentar reviver No fundo é uma eterna criança Que não soube amadurecer Eu posso, e ele não vai poder Me esquecer No fundo é uma eterna criança Que não soube amadurecer Eu posso, ele não vai poder Me esquecer

(Nana Caymmi - Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sabe quando você tem certeza que cresceu e tudo se tornou pequeno pra você?  Aquele trabalho que antes era até "levável" hoje, simplesmente, já não te desse mais na goela?
Aquele colega que você dizia "tadinho" de repente, aos seus olhos, se transforma em "culpado pelo que é", a vizinhança que passava despercebida já te incomoda bem mais que aquela dor de dente, você já não cabe mais na sua casa...quer uma bem maior também.
Descobri, dia desses, num sufoco natural do capitalismo, que meu mundo [não, não caiu] mas diminuiu. Eu aumentei de tamanho, e olha que não falo de gordurinhas extras, falo de aumento ou redescoberta do meu EU.
O que eu havia esquecido dentro de mim se revirou de tal maneira que está insuportável aguentá-lo - preciso vomitá-lo - é isso. E não é pejorativamente não, vomitando ele terá cor, forma, peso. Não será brisa, posto que não é tão leve; muito menos vento, visto que é mais forte; acredito ser um furacão em meio ao arco-íris, ou seja, é belo. E, como amo tempestades, talvez doa o barulho do relâmpago nos ouvidos, mas a beleza dos trovões definitivamente apagará qualquer surdez.
Me redescobri e, portanto, recordei o que sempre quis: aparecer. 
Quero ser reconhecida profissionalmente, quero que digam "é ela". Vou ao encontro do meu caminho esquecido e agora latejante, nem que para isso seja necessário jogar tudo para o alto (profissionalmente falando-escrevendo).
Mais do que estar eu SOU.
(Amanda Saraiva)
"Defendo-me das agruras e também das felicidades da vida".
(Fernando Pessoa)