quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Atenção A vida pisa na sua unha encravada e você berra; quando ela te dá uma pedrada você xinga. Daí ela resolve, a pauladas, chamar sua atenção e você se ressente; depois de tudo isso, sem ser notada, ela decide ir embora e você chora. Será que não poderia ter sido diferente? Tem certeza? Afinal, quantas e quantas vezes nos distanciamos de nós mesmos e, sem notar, a vida passa. Nem sempre ela passa machucando, mas passa quase implorando pra ser notada, sentida e vivenciada. Vivenciada sim, ou seja, ser captada em profundidade (segundo o Aurélio). E nós? O que fazemos? Simples: deixamos a vida nos levar. Pra mim isso já bastou faz tempo; quem leva minha vida sou eu. Sou eu quem decide até onde ir, quando fazer e como parar. Os sinais que recebemos são sinais da Vida, da minha, da sua, de todos. Olhemos para eles. Enxerguemos. E, talvez, consigamos nos livrar dessa sina de Zeca Pagodinho. "Vida leva eu" de forma alguma, deixa que "Eu te levo". E as consequências (sem trema ou com) são responsabilidades minhas, só minhas. Abraços. Amanda Azevedo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Conversas em lata, Ludov.

Conversas em lata Sonhos em conserva Um bom emprego Tive um dia duro Mas o futuro me reserva Mais sossego Não fui a encruzilhadas Nem vendi minh'alma Mas parece Não vá ficar louco Com um pouco mais de calma Acontece Guarda essa alegria pra amanhã Quando será minha vez Não vem me dizer agora “o jogo acabou, e a vida demora a voltar ao que era” Quer saber? Ainda vou jogar tudo pro alto. Coleciono promessas. (Composição: Mauro Motoki / Habacuque Lima)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Não há linha no mundo que não possa ser melhorada".
(Orígenes Lessa)
Pensando nesta frase repenso minha profissão, ou melhor, minha teimosia em continuar... Dizem que o professor é pobre e recebe mal porque "dá aulas" ao invés de vendê-las. Bem, eu vendo, dou e até empresto se for necessário mas, sinceramente, gostaria muito de receber pelo que faço. Receber dignamente. E não resignadamente (não que isto ocorra comigo, mas...).
Lá vamos nós pra mais um ano letivo, repleto de esperanças e vontade de ver acontecer, mais até, de fazer acontecer. Que Deus me proteja e guarde.
Vamos juntos?
Abraços.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Só...risos!

[...] — Você não sabe o que me aconteceu! — O quê? — Uma coisa incrível. — O quê? — Contando ninguém acredita. — Conta! — Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada? — Não. — Olhe. E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança. — O que aconteceu? E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo. — Que coisa - diria a mulher, calmamente. — Não é difícil de acreditar? — Não. É perfeitamente possível. — Pois é. Eu... — SEU CRETINO! — Meu bem... — Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria. — Mas, meu bem... — Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha! E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente: — Que fim levou a sua aliança? E ele disse: — Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei. Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam. — O mais importante é que você não mentiu pra mim. E foi tratar do jantar. "A Aliança", de Luis Fernando Veríssimo. Texto extraído do livro "As mentiras que os homens contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 37.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

AJUDA!

Gente, será que alguém pode me ajudar...esse blog desconfigurou...não estou conseguindo mais postar "centralizado", ou seja, poemas e letras de músicas não mais... até que se resolva esse problema...alguém aí pode me ajudar?! Creio que seja algo no tal do HTML mas daí a resolver....ai...que raiva. Abraços.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eu te amo geometricamente e ponto zero no horizonte formando triângulo contigo. O resultado é um perfume de rosas maceradas. (Clarice Lispector)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Cotidiano de um casal...feliz?

- Amor, diz ela. - Hum... - Amor... - Hum... - Sentiu minha falta? - Hum, hum.
Ela se vira e pensa: não, não sentiu. Chora. Choro de criança ofendida, magoada. Aquele choro "engolido" da viagem cancelada. Ele a acarinha, vira para o lado e dorme. Ela, coitada, pensa se não está sofrendo por nada. Quer levantar, não pode. Tem medo de escuro e, com esse calor, pensa nas inúmeras baratas que estariam rondando a casa, porque maldita é essa criatura que não acaba nunca. Haja veneno, chinelo e naftalina. Pensa: preciso descansar. Coração apertado, limpa as lágrimas e dorme. Acorda como se estivesse sendo abandonada, ele não percebe. E o dia continua.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Zoiuda, de Luiz Vilela.

Sempre, sempre gostei de zoiúdas. Tanto que lá em casa a família é completa...Sempre passam na mesma hora na porta e eu as fico admirando; parecem que conversam. Gosto delas. Desde pequena. Ao encontrar este texto sorri, sorriso de menina moleca que sou. Certo dia no banho, uma delas se aventurou num salto [quase] mortal sobre minha barriga, e eu, apesar do susto, sorri. Bem, tenho observado que estou a sorrir demais com zoiúdas... Espero que gostem do texto aí do link (lembrando que é só clicar no título...) Beijos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Um pouco de Clarice Lispector ( um pouco de mim hoje).

Aquilo que ainda vai ser depois - é agora. Agora é o domínio de agora. E enquanto dura a improvisação eu nasço.
Eu já havia experimentado na boca os olhos de um homem e, pelo sal na boca, soubera que ele chorava.
Timidamente eu me deixava transpassar por uma doçura que me encabulava sem me constranger.
Quero viver muitos minutos num só minuto.
Se alguém me ler será por conta e auto-risco. Eu não faço literatura: eu apenas vivo ao correr do tempo.
O que está escrito aqui, ..., são restos de uma demolição de alma, são cortes laterais de uma realidade que se me foge continuamente.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Esses nosso olhos, de João Nunes

O universo é infinito mas cabe na palavra. O verso mais bonito sabe bem mais do que lavra. O que me é imerso, contudo, não é muito mais do que nada se sou só outra palavra no teu vasto universo.

Mas faz de conta que nos conhecemos hoje. A primeira vez que nossos olhos se olharam se reconheceram e notaram, que não eram dois, ao total eram quatro. Esses olhos, olhos que de tanto olhar falam, embora só agora vemos que nunca entenderemos realmente as verdades que falam esses olhos que nos olham. E por vezes, indignados com nossa surdez, choram. Choram um sim, choram um não, lavam amanhãs, e inundam ontens. Choram sincronizados, choram calados, choram os olhos que nos falam.

Outras vezes, contudo, se negam, tão altivos, a verter uma lágrima que seja, marrentos se mantêm secos. Esquivos, fogem dos dedos, não querem afagos. Mas se prestássemos atenção, ouviríamos que, amargos, quando acham que estamos distraídos eles falam entre si, falam de um sim ou de um não, falam do amanhã e do ontem, falam os olhos dos olhos que nos faltam.

Faz de conta então, coração, que nos conhecemos hoje. E cada amanhã será um hoje. A cada dia será na magia do primeiro encontro que se reencontrarão nossos olhos, quando se refletirem, tão contentes, talvez chorem, se se permitirem, claro. Choram os olhos que se olham.

Quero assim, viver eternamente só mais este momento, olhos marejados se reconhecendo, diferentemente, pela centésima "primeira vez", se encontrando e se perdendo, sorrindo e cedendo lágrimas de alegrias pelos dias que ainda trazem saudades das idades que ainda hão de vir. Sonham os olhos que nos calam.

Até que um certo dia, que também será, fatalmente, outro hoje, ora, quando esses olhos de tanto olhar nos verão se aproximando, retornando de um lugar qualquer onde eles não podiam se avistar, vão então, vibrar, com o reencontro na milésima "primeira vez", felizes apenas por se olhar. E eu te imploro, coração, não diga nada, querida se quiser e puder me abraça, mas não, não fala: olha.
Faz de conta que nos conhecemos hoje.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Quase, de Anderson Piva

O amor nasce velho em qualquer coração; é fruto tardio de ancestralidades feridas, de descompassos hereditários, do choro antigo das várias gerações, resultado inebriante dessa magia de converter lágrimas numa quase-cachaça. Todo amor nasce marcado de lutas recentes, mas findas; soldado conhecedor de cada canto do seu campo de batalha, dos requintes militares, dos artifícios bélicos da marcial arte de amar; discípulo virado em mestre, professor da triste ciência de tornar sangue num quase-veneno. Todo amor nasce maduro. Superada a longa seca, a intempérie, eis que surge indene com a esperança perene de uma vida que é quase-renúncia. Todo amor nasce morto, já vivido, já cantado, já doído, já amado. Todo amor nasce duro, escudo de ancião experimentado, que esconde um quase-menino indefeso. Todo amor nasce quase; e se é todo, não o é. Todo amor nasce pedra perpétua, e perdura na solidez de um silêncio que é quase confissão.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Preta...

Realmente havia postado pra ti - porém, contudo, no entanto - este blogger deu pau no html e aí a mensagem ficou "feia". Aí resolvi procurar outra frase que me inspirasse você e olha o que achei: "Meus defeitos, meu lado negativo é belo e côncavo como um abismo". (Clarice Lispector) Um abismo reconhece outro... Bom dia!!!rsrsrsr
[...] Mas, meu amigo, sou singular e inteira. Sei amar. Sei chorar. Não me envergonho em perdoar. Sou santa. Sou boa. Sou a sua melhor lembrança. [...] (Fernanda Young)