terça-feira, 30 de dezembro de 2008

"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida".
(Clarice Lispector)
Pensando nesta frase de resolvi desejar-lhes um novo ano repleto de paz, com a certeza que SIM, podemos alcançá-la. Podemos dizer SIM, eu me desfaço daquele sentimentosinho FDP que me acompanhou durante este ano; SIM, eu pretendo melhorar e pensar mais antes de magoar quem amo; SIM, farei a minha parte para começar a reverter a situação, seja lá qual for; SIM, direi aos que amo o quanto são importantes para mim, antes que seja tarde; SIM, trabalharei com prazer; SIM, ganharei na mega sena sozinho, com prêmio ACUMULADO (só pra descontrair)!!! E mais: agradeço pela companhia durante este ano. Em 2009 tem mais, com ou sem a nova ortografia... mas SIM, estaremos aqui!!! Beijos, Amanda.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Lápis de cor, de Susanna Fernandes.

LÁPIS DE COR

Sou eu um resumo mal escrito sobre minha própria vida.

Esta mesma vida que mal vivi até hoje.

Sim, estes dias que me perseguem como espectros de mim.

Sou algo mal acabado e em processo de putrefação.

Sou cheia de cicatrizes de todas as dores do mundo que carrego nas costas.

Sofro de males psicossomáticos de todas as mulheres.

Doem-me todas as juntas de muitos joelhos, cotovelos e dedos.

Os cabelos de minhas tantas cabeças caem, ainda pretos.

Minha pele se enruga em outros rostos e pescoços.

O ar me falta em pulmões que não são os meus, mas estão em meu corpo.

Ainda não morro.

Ainda espero mais alguns dias, meses ou anos.

Minha morte precisa ser um consenso de todos os que vivem em mim.

Sim. Foi dessa forma que tracei os meus dias e escrevi minha história.

Mas... Quebraram a ponta do meu lápis...

E eu não sei quem foi... Mas muito obrigado!

Preciso começar tudo de novo, e que seja agora com grafite colorido.

Quero poder escrever em arco-íris.

E em primavera e em sol de domingo e em céu azul

E em riso de criança e de velhinhos e latido de cães

E em esta nova vida que me deram ao quebrar meu lápis

Vida nova de dentro para fora vivo sem parar...

Sou palavras sem fim para uma vida em pleno recomeço.

sábado, 27 de dezembro de 2008

"A capacidade de luta que há em você precisa de adversidade para REVELAR-SE".

Tristeza não tem fim...felicidade sim... Lembra dessa música? Pois... Mas não quero falar sobre isso não. Ou melhor, quero. Quero. A nossa casa sofreu um pouco com a chuva, digamos que ela inundou um "pouquinho". Cachoeira em cima do computador, o quarto molhado, roupas de cama, sofá, mesa e cadeiras [a nossa mesa!] tudo molhado... Vazou água do banheiro pra sala [ e o cheiro...], mas isso só aconteceu pq a bendita da calha estava entupida. Mas o pior vocês não sabem: estava entupida principalmente por descaso dos vizinhos com a casa alheia, mas que vizinhos são esses? Bem, uma "casa de festa", ou "de diversões", ou se preferirem um simples PUTEIRO. Sim. Na nossa calha havia cd's e fitas de vídeo de conteúdo "impróprio para menores", cuecas, blusas de malha, meias, sacos plásticos, camisinha usada e o que mais vcs puderem imaginar. Raiva, muita raiva foi o que senti, vontade enorme de botar fogo naquele "estabelecimento" filho da p@&¨%. Ai de mim se minha mãe e Alice não estivessem por lá... fiquei paralisada e só sabia chorar; foram elas que correram com balde, rodo, vassoura e pano de chão. Marido, tadinho, subiu debaixo de chuva no telhado para descobrir a infelicidade que acabei de contar, mas esperem só...antes de mudar vou deixar um recadinho bem bacana colado na porta da "casa de festa":
Senhoras Putas, Agradeço por terem feito do meu telhado uma lata de lixo e assim
terem acabado com o meu 25/12, por terem destruído o que paguei com tanto custo e principalmente por terem feito do meu 2008 um ano simplesmente inesquecível.
Atenciosamente, A filha da mãe (que sou).

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo“. Ap 3,20.
Que todos vocês tenham um excelente Natal, ou seja, PAZ, FRATERNIDADE, SAÚDE, AMOR & todas as bençãos que o Senhor puder conceder [ e as quais mereçamos...hehehehe].
Beijos! Amanda.
P.S: A figura não é de nenhum dos meus alunos, foi retirada do Google, é um presépio... tem José, Maria, Jesus e os animais!!!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. [...] Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então.
(Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", 22/04/1986)

Papai Noel no trópico, de Moacyr Scliar.

Marido acho que você vai gostar!!!
"Via a fantasia de Papai Noel como verdadeiro suplício. Não sei por que tenho de vestir essa coisa, reclamava. Vovó ponderava que, na lenda, Papai Noel vinha do Pólo Norte; teria, portanto, de usar roupas quentes. — Mas eu sou um Papai Noel brasileiro! — bradava vovô. — Não podia fazer esse papel só de camiseta? Pergunta retórica. Ele sabia que uma versão tropical da roupa natalina jamais seria aceita. O Brasil, resmungava, sempre imitou a Europa e os Estados Unidos, não será agora que as coisas mudarão. Vovó tentava consolá-lo como podia. Tratou, inclusive, de confeccionar para o marido uma fantasia de Papai Noel bem mais leve, mais arejada; mas vovô, talvez por causa da irritação, continuava suando em bicas. Este aborrecimento começou a lhe envenenar a vida. À medida que se aproximava o fim do ano, ia ficando mais irritadiço. Na semana do Natal ninguém podia chegar perto dele; explodia por qualquer coisa. Lá pelas tantas vovó começou a ficar preocupada. Vovô já era um homem idoso, beirava os setenta, e a sua saúde não era das melhores; ela temia que aquilo acabasse prejudicando o homem. Chegou a sugerir que ele parasse de vez; afinal, tanta gente se aposenta, por que não podem se aposentar as pessoas que fazem o papel de Papai Noel? Uma idéia que vovô repelia, indignado. Não era homem de abandonar a luta".
...Quem quiser saber mais é só acessar o link lá em cima! bjus

A língua girava no céu da boca (Drummond).

A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
Extraído do livro "O amor natural", Editora Record – RJ, 1992, pág. 29. Ilustração: Caco Xavier

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mãos dadas, Drummond...

Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considere a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Apontamento, de Álvaro de Campos & Ensinamento, de Adélia Prado!

A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das mãos da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela. São tolerantes com ela. O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes, Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem. Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? Um caco. E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

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Ensinamento

Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: "Coitado, até essa hora no serviço pesado". Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para Su...

Photobucket
Não chore, não brigue e nem fique triste: Você é você e ponto. É "aquele" ponto essencial... aquele, sabe? Que consegue me chamar à realidade e por diversas vezes me dissuadir "daquele" mal-estar... É você a dona do café! É você que diz "vai melhorar" ou então "estou aqui". Talvez hoje eu não consiga te escrever e tampouco descrever-te, mas isso não minimiza o laço que nos une. bjus
"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando."
(Clarice Lispector)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Gente, gente!!!Preciso postar....minha amiga Gi passou por aqui! Quanta felicidade!
Giselle é seu nome. Gilsa como a chamo.
Irmãs pelo carinho. Amigas pela vida.
Não consigo ver no meu passado
uma passagem sem tua presença: seja alegre ou triste.
Sempre presente a consolar-me ou repreender-me;
não raras vezes a esconder-me de minha mãe...
Afinal, namoradeira como eu era,
ai de mim se não fosse ela!
Pra você meu muito obrigada
por todos esses anos de amizade
de pura e sincera presença.
(Amanda Saraiva)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Uma perda, de Arthur da Távola

A Carlos Drummond de Andrade No meio do caminho tinha uma perda. Tinha uma perda no meio do caminho. Tinha uma perda. No meio do caminho tinha uma perda. Primeiro a irmã depois o pai. Não sabia que no meio do caminho tinha a perda do paraíso que me fez bravo. Fui só, fui eu, fui vida a partir da perda que me estava destinada no meio do carinho de minha mãe solitária. Fui perda de mim mesmo procurado por toda a vida até que achado no poema do meu hoje encanecido. Tudo porque no meio do caminho tinha uma perda. Tinha uma perda no meio do carinho.
"Criatura miudinha, disse ele um dia, estava falando de mim. Quanta manha cabe... Como se ele não soubesse Que por vó fui criada e manha - além de sopa - é o que melhor sei fazer"!
(Amanda Saraiva)
Pra ti... já viu que esse blog, ultimamente, tem sido pra você??? O que será que está acontecendo? Quem souber faça o favor de se pronunciar!!!rs

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um pouco de Clarice nesse dia....

"Eu queria poder usar a delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva." "...ela havia por medo cortado a dor. Só com Ulisses viera aprender que não se podia cortar a dor - senão sofreria o tempo todo. Sem a dor ficara sem nada, perdida no seu próprio mundo e no alheio sem forma de contato."
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
"Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: eis os limites de minha possibilidade."
"O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Para Marido!!!

"Olhe nos meus olhos
E diga o que você
Vê quando eles vêem
Que você me vê
Olhe nos seus olhos
E o que eu posso ler
Que eles ficam melhores
Quando eles me lêem".
(Nando Reis)