quarta-feira, 26 de setembro de 2007

"O piano foi atacado deliberadamente em escalas fortes e uniformes. Exercícios, pensou. Exercícios... Sim, descobriu divertida... Por que não? Por que não tentar amar? Por que não tentar viver?" (p.83) ~~~~//~~~~ "A distância que separa os sentimentos das palavras. Já pensei nisso. E o mais curioso é que no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo".(p.95)
(Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispetor)

domingo, 23 de setembro de 2007

Amor é fogo que arde sem se ver Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que dasatina sem doer; é um não querer mais que bem querer; é solitário andar por entre a gente; é um não contentar-se de contente; é cuidar do que se ganha em se perder; é um estar-se preso por vontade; é servir a quem vence o vencedor; é um ter com quem nos mata lealdade; Mas como causar pode o seu favor nos mortais corações conformidade, sendo a si tão contrário o mesmo amor? (Luis de Camões)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Não o amor, mas os arredores é que vale a pena..."
(Livro do Desassossego)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O Pouco Que Sobrou

Eu cansei de ser assim Não posso mais levar Se tudo é tão ruim por onde eu devo ir? A vida vai seguir Ninguém vai reparar Aqui neste lugar eu acho que acabou Mas eu vou cantar pra não cair fingindo ser alguém que vive assim de bem Eu não sei por onde foi Só resta eu me entregar Cansei de procurar o pouco que sobrou Eu tinha algum amor Eu era bem melhor Mas tudo deu um nó e a vida se perdeu Se existe Deus em agonia manda essa cavalaria que hoje a fé me abandonou. (Los Hermanos)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

"Tédios do crepúsculo e do desalinho, leques fechados, cansaço de ter tido que viver..."
(Livro do Desassossego - Fernando Pessoa)

domingo, 9 de setembro de 2007

"Livros de auto-ajuda custam vinte reais; um bom poema não tem preço!" (Florzinha)
Esperança Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA... (Mário Quintana)

sábado, 8 de setembro de 2007

[...] Vou assumir o meu ódio! Vou rir do meu ódio! Vou sobreviver ao meu ódio! Mesmo sabendo que estou razoavelmente sã e humanamente perdoada. Eu odeio o mundo que não me cabe. Cuspo na cara de quem finge não me ver. Detesto os premiados. Sou feia, má. Sou o que o descaso me faz imaginar de pior. E não quero mais me explicar. [...] (Fernanda Young)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Eu, eu mesmo
Eu, eu mesmo... Eu, cheio de todos os cansaços Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeito? Incógnito? Divino? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... Ainda que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Álvaro de Campos)