terça-feira, 28 de agosto de 2007

"Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada". (Clarice Lispector)

domingo, 26 de agosto de 2007

"Existir é tão completamente fora do comum que se a consciência de existir demorasse mais de alguns segundos, nós enlouqueceríamos. A solução para esse absurdo que se chama "eu existo", a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista". (Clarice Lispector)
"Não sei se é o sonho que me faz escrever ou se o sonho é o resultado de um sonho que vem de escrever. Estamos nós plenos ou ocos?Quem és tu que me lês?És o meu segredo ou eu o teu segredo?" (Autor desconhecido - caso alguém saiba é favor me avisar...)

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. (Drummond) Gosto demais deste poema....talvez por me identificar com a Lili!!! Bjus.
"Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim". (Drummond)

sábado, 18 de agosto de 2007

LXII Quando os olhos emprego no passado, De quanto passei me acho arrependido; Vejo que tudo foi tempo perdido, Que todo emprego foi mal- empregado. Sempre no mais danoso, mais cuidado; Tudo o que mais cumpria, mal-cumprido; De desenganos menos advertido Fui, quando de esperanças mais frustrado. Os castelos que erguia no pensamento, No ponto que mais altos os erguia, Por esse chão os via em um momento. Que erradas contas faz a fantasia! Pois tudo pára em morte, tudo em vento; Triste o que espera! Triste o que confia! (Camões)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A criança
A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.
(Alberto Caeiro)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Quem me Dera que eu Fosse o Pó da Estrada Quem me dera que eu fosse o pó da estrada E que os pés dos pobres me estivessem pisando... Quem me dera que eu fosse os rios que correm E que as lavadeiras estivessem à minha beira... Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . . Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro E que ele me batesse e me estimasse... Antes isso que ser o que atravessa a vida Olhando para trás de si e tendo pena ... (Alberto Caeiro)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Talvez

Talvez não ser, é ser sem que tu sejas, sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul, sem que caminhes mais tarde pela névoa e pelos tijolos, sem essa luz que levas na mão que, talvez, outros não verão dourada, que talvez ninguém soube que crescia como a origem vermelha da rosa, sem que sejas, enfim, sem que viesses brusca, incitante conhecer a minha vida, rajada de roseira, trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és E desde então és sou e somos... E por amor Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda

*Lindo demais...

"Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma." Um sopro de vida - Clarice Lispector

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Arte de amar Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. (Manuel Bandeira)
Eu ... Eu sou a que no mundo anda perdida, Eu sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho,e desta sorte Sou a crucificada ... a dolorida ... Sombra de névoa tênue e esvaecida, E que o destino amargo, triste e forte, Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida!... Sou aquela que passa e ninguém vê... Sou a que chamam triste sem o ser... Sou a que chora sem saber porquê... Sou talvez a visão que Alguém sonhou, Alguém que veio ao mundo pra me ver, E que nunca na vida me encontrou! (Florbela Espanca)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco, toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas." (Pessoa)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007